Marta

Audiência do Brasileirão Feminino dispara com o aumento de espaço na mídia.

O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? O mesmo dilema ocorre no futebol feminino. O que nasce primeiro, o crescimento da audiência ou a visibilidade e repercussão na mídia? Com transmissão ao vivo na TV paga, TV aberta e mídias sociais, o campeonato brasileiro feminino de 2020 bateu recordes de audiências e escancarou mitos misóginos e estereótipos.

Preconceitos, desigualdades e falta de oportunidades criam uma lacuna gigantesca entre homens e mulheres, mas não só no futebol. Segundo o relatório de disparidade de gênero de 2018 do Fórum Econômico Mundial , dentre os 149 países do mundo, o Brasil está colocado em 95º em desigualdades de gênero (na América Latina e Caribe, só fica à frente de Paraguai, Guatemala e Belize).

Desigualdade salarial

O problema não é só a falta de oportunidades para mulheres, mas também a remuneração paga a elas. Conforme pesquisa realizada pela Catho a diferença salarial entre homens e mulheres graduados chega a 52%.

Oportunidades

Essa diferença é ainda mais acentuada no esporte. Conforme a Forbes, apenas duas mulheres estão entre os cem atletas mais bem pagos do mundo, as tenistas Naomi Osaka e Serena Willians.

No futebol, seguindo ainda a análise da Forbes quanto aos prêmios em dinheiro, salários, bônus, patrocínios e taxas por presença, a diferença é avassaladora. Messi da Argentina e Barcelona é o jogador mais bem pago, enquanto Alex Morgan dos EUA e do Orlando Pride, é a mais bem remunerada no futebol feminino.

Diferença Messi

A diferença gritante entre a remuneração dos atletas masculinos e femininos não é o único obstáculo para o desenvolvimento da modalidade no Brasil. A falta de profissionalização do setor e o baixo investimento no futebol feminino de agremiações já consolidadas no masculino também contribuem para as dificuldades das equipes.

Resta refletir o porquê de o produto “futebol feminino” não receber os devidos investimentos e visibilidade e, consequentemente, não alcançar a qualidade que poderia e não corresponder ao potencial que possui.

Um ponto importante, o estereótipo de mulheres jogando futebol como algo negativo está muito presente e precisa ser combatido. Os estereótipos em geral são fenômenos sociais criados, não é coincidência que grupos pior estereotipados são os grupos menorizados politicamente, como explica, didaticamente, Rita Von Hunty. Isto é, o estereótipo de “futebol feminino é ruim” também foi criado.

A desvalorização não é só do futebol feminino, como também de outras modalidades esportivas e ela ocorre pela super valorização do futebol brasileiro masculino.

Este círculo vicioso acontece, pois o custo do produto futebol masculino é cada vez mais caro, consequentemente, exige a sua superexposição para que exista o retorno financeiro esperado. Inclusive, com maior visibilidade em programas esportivos, mesas redondas, debates, além do próprio evento ao vivo.

Com isso, não é interessante dar visibilidade a um evento esportivo “rival”, como o futebol feminino, por exemplo.

O que mudou? A Copa do Mundo da França de 2019, com certeza, foi um marco, comprovou que o produto era de extrema qualidade, mas ainda sem o devido espaço. Soma-se à crise econômica que já vinha se estabelecendo nas mídias tradicionais e o destaque de outros produtos preexistentes, mas antes não tão valorizados, como Ligas nacionais europeias e a Liga dos Campeões da Europa.

Portanto, a forçada variação de conteúdo e a multiplicidade de plataformas (TV aberta, TV paga, mídias sociais e streaming) possibilitou, entre outras coisas, o aumento da visibilidade do futebol feminino.

A repercussão foi excelente e o resultado foi a exibição das finais do Brasileirão e do campeonato paulista sendo transmitidos ao vivo em diversos canais, algo nunca visto anteriormente.

Levantamento Fut das Minas
Levantamento feito pelo Fut das Minas

Há espaço e público para todos. Entretanto, o estereótipo criado e a discriminação que isso provocou fez necessário um esforço hercúleo das jogadoras para o desenvolvimento do futebol feminino e a conquista de espaço.

O mundo hoje agradece, pois se não fosse a insistência e a garra dessas jogadoras em acreditar em seus objetivos, todos perderiam Marta, Cristiane, Formiga, Zanotti, Andressinha, Erika e tantas outras craques.

Falta muito caminho a ser percorrido e a luta pela equiparação não só no futebol, como em qualquer área, é árdua e é de todos, não só das envolvidas.

Com aumento da visibilidade e do incentivo, o futebol feminino está cada vez mais acirrado, potências estão sendo criadas e clássicos eternizados. Brasileirão feminino 2021 promete!!

Taça

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