Jorginho correndo após marcar um gol

Em Wembley, Inglaterra e Itália disputam título da Euro 2020

No domingo (11), a Inglaterra buscará o seu primeiro título Europeu, com a vantagem de jogar em Wembley, diante de sua torcida.

It’s coming home … or to Rome

Apesar do fator casa e com a torcida de 65 mil pessoas em Wembley, a Inglaterra não entra como a grande favorita. A Itália tem mostrado um futebol mais consistente e convincente nesta Euro 2020, disputada em 2021 por conta da pandemia da COVID-19.

Entre os jornalistas do The Athletic , tradicional jornal esportivo inglês, três acreditam que a Itália termine como a campeã, enquanto um único esperançoso acredita na Inglaterra.  Itália que derrotou nos pênaltis a Espanha, enquanto a equipe inglesa bateu a Dinamarca na prorrogação, com um gol após uma penalidade muito duvidosa.

Gareth Southgate, técnico da Inglaterra, tem alternado seus titulares conforme seu adversário. Na final, deve repetir a escalação contra Dinamarca, por ser também a melhor possível contra a Itália.

O time italiano estabeleceu a terceira maior invencibilidade entre seleções da história, até agora são 32 jogos sem perder. A maior invencibilidade de todos os tempos é brasileira, entre 16/12/1993 – 21/01/1996.

Lembrando que a Itália sequer se classificou para última Copa do Mundo na Rússia em 2018. Essa espetacular evolução se deve a Roberto Mancini e toda sua comissão técnica. Se você ainda não assistiu à Itália nessa Euro, prepare-se, pois não será mais aquele time forte, com uma defesa fechada e um centroavante de referência. A equipe atua em um 4-3-3 no papel, mas na prática em um 2-3-5, quando ataca.

Esquema tático da Itália
https://theathletic.com/2696781/2021/07/09/michael-cox-the-time-for-tinkering-is-over-england-should-be-unchanged-for-the-final/

Por que Saka e não Grealish?

O maior problema da Itália foi a perda por lesão do seu lateral esquerdo que atua como ponta quando ataca, Leonardo Spinazzola. O jogador da Roma, inclusive, era cotado como reforço do Real Madrid para a próxima temporada, mas o acordo poderá não ser concretizado, já que Spinazzola rompeu o tendão de Aquiles esquerdo e deverá ficar afastado dos gramados por aproximadamente 6 meses.

O lateral da Roma exercia um papel fundamental na tática de Mancini, pois aparecia como um atacante pela esquerda, permitindo que Insigne se aproximasse de Immobile pelo meio. Emerson, jogador ítalo-brasileiro, não tem a mesma profundidade do titular. Mesmo assim, Southgate deve manter Saka no lugar de Grealish para acompanhar as subidas do lateral italiano, enquanto Walker permanecerá como um terceiro zagueiro para garantir a marcação de Insigne. Rice, pelo meio, deverá ser encarregado de segurar Barella, que também aparece como elemento surpresa no ataque da Itália.

Marcação inglesa
https://theathletic.com/2696781/2021/07/09/michael-cox-the-time-for-tinkering-is-over-england-should-be-unchanged-for-the-final/

Grealish tem entrado no segundo tempo dos jogos ingleses, principalmente quando a Inglaterra não tem o placar positivo assegurado. O jogador do Aston Villa tem melhor qualidade no passe e criatividade para as jogadas ofensivas. Acontece que ele entra sempre pela esquerda e desloca Sterling para direita. O ponta do Manchester City não tem, nem de longe, o mesmo potencial defensivo que Saka.

Apesar de não ter feito uma temporada regular no City, Sterling tem feito a diferença para seleção inglesa. Ele consegue quebrar as linhas de defesa e levar qualidade para o terço final do campo.

Harry Kane é a maior esperança de gols da Inglaterra, mas não tem conseguido se destacar quando fica fixo no meio e enfiado entre os zagueiros adversários. Contra a Dinamarca, na semifinal, os lampejos de maior qualidade surgiram quando Kane buscou o jogo e trabalhou como um armador ou fez o papel de pivô. Talvez seja uma das possibilidade para surpreender a Itália, recuar seu centroavante para povoar mais o meio campo e dar espaço para os pontas entrarem na área.

Mourinho fez algo parecido quando treinava o Tottenham. Kane aparecia aberto como ponta, enquanto o sul-coreano, Heung-Min Son, surgia na área. Enquanto os dois estiveram juntos nesse esquema, foram a dupla mais artilheira da Inglaterra, tanto que Harry Kane terminou a competição com o maior número de gols e assistências.

Este será o grande duelo tático do jogo. O problema é: a Inglaterra quando atacar e descuidar de toda essa proteção, ficará muito vulnerável ao contra-ataque italiano. A Espanha conseguiu neutralizar a Itália povoando o meio campo e impondo seu jogo de posse de bola, impedindo a pressão italiana. Quase deu certo, foram derrotados somente nos pênaltis.

A Inglaterra joga somente com Rice e Phillips no meio e Mount um pouco mais à frente. Promete ser um jogo muito aberto, com ambas as equipes ofensivas. O esquema e o time da Itália chegam mais prontos para a final, apesar da ausência importante de Spinazzola. A Inglaterra não parece tão sólida, até mesmo pela idade de seu time, média inferior a 26 anos. Porém conta com o apoio de sua torcida e com um elenco mais completo e com mais opções. Os jogadores estão em final de temporada e em final de campeonato, portanto, o cansaço pode pesar mais contra a Itália do que para Inglaterra que poderá contar com substitutos tão bons quantos os titulares.

Desde 1966, quando a Inglaterra foi campeã do mundo, nunca mais ganhou um título ou sequer chegou a uma nova final, mas a Itália não tem nada com isso e fará de tudo para que o título europeu vá para Roma e não fique na casa inglesa.   

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